Jorge Fernando
“Há um fado antes e depois de Jorge Fernando.”, Nuno Pacheco, jornal Público
Nascido num dos bairros mais pobres de Lisboa, o extinto Casal Ventoso, Jorge Fernando cresceu rodeado de guitarras e vozes que faziam do fado uma forma de resistência e de alma. Daquele cenário duro e popular ergueu-se um músico de exceção, compositor, intérprete e produtor, que viria a tornar-se uma das figuras mais influentes da música portuguesa contemporânea.
É autor de temas que se tornaram clássicos absolutos, “Trigueirinha”, “Pode Ser Saudade”, “Boa Noite Solidão”, “Búzios”, “Quem Vai ao Fado” e “Chuva”, canções que atravessam gerações e fazem hoje parte do património afetivo de Portugal.
Mas é também através da sua criatividade inquieta e visão artística que o fado evolui para novas formas de expressão. Jorge Fernando foi pioneiro ao introduzir novas sonoridades e instrumentações, cruzando o fado com a pop, o rap e o clássico, em participações ousadas e marcantes com artistas como Lúcio Dalla, A Filetta, Egberto Gismonti, Sam The Kid e Amália Rodrigues.
A sua abertura musical levou-o a colaborar também com Mika, Tim Ries, saxofonista dos Rolling Stones, e com nomes maiores do panorama brasileiro como Toninho Horta e André Dequech, reforçando o seu estatuto como criador sem fronteiras.
Desde muito cedo, o destino parecia traçado. Já aos quatro anos, pela mão do avô materno, dava os primeiros passos no fado, frequentando tertúlias e coletividades lisboetas onde se moldavam as vozes e guitarras da cidade.
Aos 13 anos forma a sua primeira banda, com a qual percorre o país tocando os grandes êxitos da época, num entusiasmo juvenil que o preparou para uma vida inteira de palco.
Aos 15 anos regressa ao fado, guiado por aquele que o povo consagrou como o “Rei do Fado”, Fernando Maurício. Sob a sua influência, mergulha nas raízes mais autênticas da canção de Lisboa e absorve uma sabedoria que rapidamente o tornaria um dos seus discípulos mais talentosos.
Com apenas 20 anos é convidado para integrar a equipa de Amália Rodrigues, entrando assim para a história ao lado da maior voz portuguesa de sempre. Com ela percorreu o mundo, atuando nas mais prestigiadas salas internacionais, entre elas o Carnegie Hall, em Nova Iorque, e o Olympia de Paris, levando o fado a novas geografias e públicos.
O seu reconhecimento internacional consolidou-se também através de duetos e colaborações com artistas de referência mundial como Lúcio Dalla, A Filetta, Egberto Gismonti, Sam The Kid, Amália Rodrigues, Mika, Tim Ries, Toninho Horta e André Dequech, entre outros.
Participou ativamente no documentário “Madame X” de Madonna, filmado em Lisboa, que termina com uma canção de sua autoria, “Desespero”, e viu o seu tema “A Sós com a Noite” ser interpretado por Prince, num gesto simbólico de admiração.







